Difícil encontrar adjetivos para descrever o lugar. Assustador, mas não só isso. Dava a impressão de se encontrar em uma versão tupiniquim de um filme bang bang do pior (ou seria melhor) estilo:
homens mal encarados, barbudos, com chapéus velhos, cigarro atravessado na boca, cartas de baralho nas mãos grandes e calejadas, enfim, um bar. Não um barzinho, um bar do tipo...bar mesmo, está dando pra entender?
Havia mulheres no local, portanto muitas crianças também, de todas as idades, e uma cancha de bocha.
“Enquanto o mundo girá aqui vai rolá uma boxa” dizia um cartaz na entrada. De fato o mundo estava girando, mas a impressão era de se ter parado no tempo: nenhum computador, telefone, nem mesmo uma televisão que pudesse nos fixar no presente ou pelo menos em um passado recente. A bocha também rolava, mas parou na hora em que o jantar foi servido, contrariando a afirmação do cartaz.
A mesa de sinuca foi coberta por uma toalha e fez às vezes de mesa de jantar. Os homens abandonavam o jogo, serviam montanhas de comida em pratos fundos. Sentavam nas cadeiras e bancos improvisados com latas e caixas, comiam com gosto e talheres ordinários.
Um garrafão de vinho medíocre passava de mesa em mesa, enchia os copos que eram esvaziados com sofreguidão. As crianças pediam mais carne, mais pão, mais arroz, mais, mais, mais.
Nenhum tipo de luxo, de roupa apropriada, etiqueta, copos adequados. E mesmo assim todos estampavam na cara a mais absoluta satisfação. E mesmo o vinho medíocre os enchia de alegria.