Gastronomia

Insegurança

12/09/04

Tinha um encontro. Resolveu levar uma garrafa de vinho, assim teria com o que ocupar as mãos quando a porta se abrisse.

Como estava pisando em terreno desconhecido escolheu um vinho que tomara diversas vezes.

Vestido vermelho foi o que aconselhou a amiga. Péssimo. Preto, depois azul. Voltou ao vermelho. Meia, salto, expectativa, documentos, bolsa.
Uma última olhada no espelho.

Se tivesse mais tempo mudaria de roupa, mas o táxi a esperava.
Respirou fundo antes de apertar o botão do interfone. Tentou parecer calma.

“É a Betty”

Primeiro andar, segundo, quinto. Sentia-se como uma colegial e detestava se sentir assim, afinal já estava bem crescidinha. Apertou a garrafa de vinho entre as mãos.

A porta já estava aberta e ele a esperava.
Teve vontade de correr, voltar atrás, rebobinar sua vida até o momento em que tinha aceitado o convite.

“Você está linda”

Ele era um cavalheiro. Um dos poucos que conhecera.
Não era um garoto, nem se parecia com seu último e decepcionante relacionamento.

Viu sobre a mesa outra garrafa.
Sabia que aquele era o vinho preferido dele.
Sentiu-se mais relaxada. Agora sabia que nenhum dos dois tinha certeza do que poderia acontecer.

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