Nunca havia sentido cheiro de frutas vermelhas em um vinho. Tampouco o aroma de couro, fumo ou chocolate.
Não podia acreditar que seu nariz era um inútil. Sabia que poderia reconhecer as pessoas que amava pelo cheiro. O lux mel e óleo de amêndoas a fazia lembrar do apartamento de uma tia. Jamais esquecera o perfume do shampoo que um antigo namorado usava. Sentia até o cheiro de inverno!
Com o passar do tempo acabou deixando de se preocupar com isso.
Ainda metia o nariz dentro da taça de vinho mas não se esforçava mais para identificar seus aromas.
Um dia alguém lhe ofereceu um vinho que ela não conhecia. Pegou a taça, girou, girou. Levou até o nariz.
Chocolate! Cheirava chocolate!
Lembrou do primeiro beijo, do primeiro amor, da primeira vez que viu o mar...
A primeira vez a gente nunca esquece.